Cerca
de 150 mil brancos, ingleses e descendentes de colonos
ingleses estão ameaçados de morte e de destruição de
suas propriedades rurais, no país africano de Zimbábue,
submetidos à fúria reivindicadora pela posse de suas
terras pelos nativos negros.
O Zimbábue fez parte da próspera colônia britânica da
Rodésia, dividida em duas áreas administrativas:
Rodésia do Norte rica em minerais e Rodésia do Sul,
próspera em agricultura. A primeira obteve sua
independência em 1965 e constituiu-se na República de
Zâmbia. A segunda, muito mais conflitante, a República
de Zimbábue, passou primeiro por um regime de autonomia
sob a chefia de um colono branco Ian Smith e somente em
1980 alcançou a sua completa libertação.
País rico em agricultura, favorecido por terras
fertilíssimas, atraiu muitos colonos ingleses que ali se
encontram, alguns, já na quarta geração. Chegou a
abrigar 250 mil colonos ingleses. Os conflitos raciais do
período da independência resultaram na transferência
da chefia do governo do descendente de ingleses Ian Smith
para o líder negro Robert Mugabe, o que gerou um clima
de tensão e insegurança para os brancos. Em
conseqüência, muitos deles abandonaram suas atividades
e regressaram à Europa. Calcula-se que ainda continuam
no país cerca de 150 mil brancos proprietários das
fazendas produtivas.
O conflito de terra zimbabueles tem sua origem no chamado
regime "foncier" que na época colonial regulou
a distribuição das glebas mais férteis aos brancos,
negando aos nativos o direito de exploração dessas
áreas. Com a independência e a criação da República,
após prolongadas e difíceis negociações com o governo
de Londres, o regime de "foncier" foi abolido,
e ficou estabelecido que os nativos poderiam comprar dos
brancos as áreas antes a eles reservadas. Isto pouco
solucionou o problema, porque os nativos, na sua quase
totalidade pobres, não tinham como adquirir estas
terras.
De 1965 até hoje os nativos organizados em grupos de
protestos e guerrilhas ameaçam os fazendeiros brancos.
Estes, armados também, e organizados militarmente, vem
defendendo as suas propriedades. O Presidente Mugabe,
até pouco tempo, procurava manter uma linha de
imparcialidade e mantinha o conflito, sempre latente,
dentro de um relativo controle. Ultimamente, Mugabe
resolveu manifestar apoio à causa dos nativos contra os
fazendeiros, preocupado com a proximidade do pleito
eleitoral e pretendendo reeleger-se.
Em virtude da nova posição de Mugabe intensificou-se a
violência dos choques entre nativos e brancos. Inúmeras
fazendas foram invadidas, seus proprietários
assassinados. O terror assola todo o país porque a
violência impiedosa atinge também os empregados negros
das fazendas.
Diante da ameaça de uma chacina generalizada e ante a
desproporção entre os efetivos rivais, cerca de 10
milhões contra 150 mil, os fazendeiros brancos e suas
famílias estão na iminência de serem forçados a
abandonar o país africano, largando suas propriedades e
bens. Resta-lhes, ainda, um lampejo de esperança, de que
o governo de Londres venha socorrê-los. Parece que não
há mais muito tempo para que isto possa acontecer. |
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Zimbábue
Sem Máscara |
Aqui em Johannesburgo haverá uma
conferência sobre desenvolvimento sustentável nas
próximas semanas. São esperados 65.000 delegados de
todo o mundo, e existe a expectativa de que até mesmo o
presidente Bush compareça. Tenho minhas dúvidas de se
os hotéis de Johannesburgo comportam tanta gente, então
é claro que há grandes preparativos em curso. A
conferência deve causar muitos problemas por aqui. Já
fomos alertados pela polícia de que, como ela estará
inteiramente ocupada com a proteção dos delegados, os
crimes contra nós podem aumentar! Além disso, todos os
marxistas e socialistas locais preparam manifestações e
coisas do gênero. A conferência nos trará caos e
baderna. O único aspecto positivo do evento é a
injeção de dinheiro que dará em nossa economia -
imaginem a grana que os bordéis vão faturar com todos
esses delegados estrangeiros! Pensando bem, a gente não
pode reclamar muito: numa economia socialista estagnada
como a nossa, qualquer negócio minimamente lucrativo é
bem-vindo.
Nas últimas semanas o governo sul-africano prendeu
brancos que estavam conspirando contra ele. Onze brancos
que planejavam atos terroristas estão atrás das grades.
Mas no domingo, dia 18 de agosto, li uma reportagem sobre
uma ação de caráter nacional com o objetivo de prender
brancos envolvidos com o planejamento de "atos
terroristas" que aconteceriam especificamente
durante a tal conferência.
O problema aqui na África do Sul é que muitos brancos
de extrema direita simplesmente querem sair por aí
atirando. Eles não toleram mais o CNA e os marxistas, e
desejam agir o quanto antes. Por isso, formam pequenos
grupos conspiratórios que logo são desbaratados,
graças à ação de agentes (brancos) infiltrados. Há
bastante tempo se diz que a direita sul-africana está
sob a vigilância do governo, que empregaria até mesmo
agentes estrangeiros nesse trabalho. Mesmo durante a
época do domínio branco, a direita era alvo de
infiltrações em massa. Na melhor das hipóteses,
detonava-se uma bomba hoje e, na semana que vem, todos os
responsáveis já estavam presos. Eu não apóio o
terrorismo e não acho que as coisas devem ser feitas
dessa maneira. Muitas dessas pessoas sentem-se frustradas
porque não têm uma liderança, e porque acreditam que
sua causa foi completamente esquecida. A maior parte
delas termina na cadeia logo nos primeiros estágios da
conspiração. Como eu sempre acreditei, o melhor
procedimento para qualquer tipo de resistência é tornar
públicas suas reivindicações. Sirva-se da liberdade de
expressão tanto quanto puder. De nada adianta formar uma
pequena conspiração da qual ninguém tomará
conhecimento. Em vez disso, é melhor espalhar suas
idéias e conseguir aliados. É por isso que faço o que
faço. Se alguém tem um problema, que seja claro a esse
respeito. Não aprovo o terrorismo - nem mesmo contra o
CNA (Congresso Nacional Africano). A resistência deve se
dar pela guerra de propaganda e por um intenso exercício
de relações públicas. Assim, se a coisa terminar em
tiroteio, pelo menos todo mundo vai saber por que. Além
do que, de nada adianta as pessoas mofarem na prisão
durante anos e anos. Lá elas estarão incapacitadas de
defender a causa na qual acreditam. Isso acontece na
África do Sul com os brancos porque eles estão
completamente carentes de uma liderança. Mas felizmente
as coisas vão mudar. Os problemas no Zimbábue vêm
contribuindo para fortalecer a coesão entre os
conservadores na África do Sul.
Excetuando-se os onze brancos de cerca de duas semanas
atrás, ainda não sabemos quantas pessoas foram presas
na operação deflagrada pela polícia sul-africana neste
fim de semana.
O pânico aumentou nestes últimos dias entre os
fazendeiros do Zimbábue que desafiaram o mandato de
desocupação dado por Mugabe. Pouco tempo após o fim do
prazo estabelecido, a polícia zimbabuense começou a
prendê-los.
No começo da semana passada, um fazendeiro foi atacado e
assassinado. Outro teve sua casa incendiada e, por sorte,
conseguiu escapar com vida, ele e sua mulher. A
televisão sul-africana mostrou imagens do rosto dele
exibindo queimaduras. Mesmo assim, a polícia agiu na
quinta e na sexta-feira prendendo fazendeiros ao sul de
Matabelelândia, na fronteira com a África do Sul. No
sábado, a operação se estendeu para todo o território
nacional. 50 fazendeiros foram presos, elevando para 80 o
número total de prisões efetuadas.
Um incidente particularmente triste ocorreu na fazenda de
Manguru, a 100 quilômetros de Harare. A polícia,
acompanhada dos "Veteranos de Guerra", foi até
o local e obrigou um trabalhador negro a indicar o
endereço em que se encontrava o dono da propriedade, Sr.
Smith, que mora em Harare. O homem interrogado teve suas
mãos algemadas e foi conduzido até Harare, onde os
Veternados de Guerra atacaram o Sr. Smith. Uma
organização de fazendeiros pede a libertação do
preso, para que sua perna quebrada e os ferimentos em sua
cabeça possam receber tratamento adequado.
Nota: esse Sr. Smith não é Ian Smith, o
ex-primeiro-ministro. Quanto a este, nada sei de suas
atividades, exceto que ele está envolvido com a
resistência. Mugabe já declarou que Ian Smith não deve
nem pensar em juntar os brancos que o apóiam para lutar
outra guerra.
De acordo com grupos defensores dos direitos humanos
sediados no Zimbábue, a violência política fez 59
mortos apenas neste ano. Eles também afirmam que
milhares de pessoas foram torturados ou estuprados no
mesmo período. Boa parte das vítimas é negra e membro
da oposição.
Mugabe proferiu um discurso na sexta-feira aos soldados
que retornavam do Zaire. Acusou os brancos de financiar o
MDC (Movimento pela mudança democrática).
Onze membros da Comunidade Britânica querem que o
Zimbábue seja expulso dessa entidade.
Uma das declarações mais ridículas da semana ficou por
conta de um parlamentar zimbabuense segundo o qual os
brancos contratam negros para que batam neles,
ajudando-os dessa forma a conquistar a simpatia
internacional!
O jornal sul-africano Citizen informou que o Zimbábue
tem recusado a cidadãos britânicos o ingresso no país,
como represália a medida semelhante tomada contra
Mugabe.
A cumplicidade silenciosa da África do Sul em toda essa
história é evidente para todos. Durante os últimos
meses, Pahad, do CNA, fez de tudo para justificar a
inação de seu país face a Mugabe. Isso mostra sua
adesão à proposta do presidente Mbeki de
"engajamento construtivo" - que, aliás, até
agora não construiu nada. Mugabe tem agido como bem
entende. Como há tempos digo, a África do Sul dispõe
dos meios econômicos para pressionar o Zimbábue. A
maioria das importações e das exportações deste país
é feita através dos portos daquele. Tal fato foi
reiterado esta semana por membros da oposição
sul-africana. Eles disseram que seria possível pôr
Mugabe de joelhos. Mas, como de hábito, o governo
acredita que ações assim não são desejáveis. Ele
rechaça igualmente a hipótese de uma retaliação
militar contra o Zimbábue. Tudo isso confirma a
exatidão da tese que defendi no livro Government by
Deception, onde falo da "irmandade marxista" e
de como essas pessoas mantêm umas às outras no poder.
Quase todos os países africanos se recusam a criticar
Mugabe.
A SABC (Organização sul-africana de rádio e
televisão), que controla a maior parte da rádio e da TV
sul-africanas, investigou com uma extraordinária candura
os eventos dos últimos dois anos no Zimbábue. Mas isso
talvez mude. Mesmo as cândidas reportagens da SABC
despertaram inquietação no governo, que a obrigou a
algumas mudanças em sua linha editorial. Toda os
partidos políticos de oposição protestaram esta semana
no parlamento contra a ingerência do CNA na SABC.
De acordo com notícias veiculadas aqui na África do
Sul, fazendeiros brancos zimbabuenses pretendem evadir-se
para cá como refugiados, pois não dispõem de nenhum
outro lugar para ir. Muitos deles não obtiveram receita
alguma com suas fazendas no ano passado. Houve mesmo um
que declarou na televisão nada tirar de sua fazenda há
mais de dois anos.
Recentemente participei de um fórum no qual um americano
disse serem uns grandes imbecis os brancos que continuam
na África. Eu só gostaria de chamar a atenção para o
fato de que os brancos estão abandonando a África a um
ritmo constante desde a década de 1960. (Observe,
aliás, como a África vai piorando à medida que os
brancos se retiram.) A população branca do Zimbábue
atingiu em seu auge, nessa década, 300.000 pessoas.
Atualmente, não resta mais do que 10% ou 20% desse
número. Tendo começado em 1960, o decréscimo da
população branca acelerou durante a guerra dos anos 70.
O período 1980-1985 assistiu a emigrações em massa:
60% dos brancos do Zimbábue deixaram o país e rumaram
para a África do Sul. Quem ficou ficou porque era pobre
demais para sair, ou então porque decidiu aproveitar as
oportunidades surgidas com a saída dos outros. Um traço
comum entre os que ficaram é o esquerdismo. Com a guerra
perdida, boa parte dos conservadores foi embora.
Aqui na África do Sul presenciamos tendência similar em
curso, com a exceção de que é sensivelmente mais caro
deixar o continente inteiro de uma vez. Assim, muitos
vão continuar presos aqui indefinidamente. A África do
Sul já contou com uma população de 5 milhões de
brancos. Oficialmente, o número caiu para 4.2 milhões,
segundo o último censo. Notem, porém, que houve um
fluxo de numerosos brancos esquerdistas vindo de outros
países, a ex-União Soviética, por exemplo; de maneira
que os dados apresentados não indicam com exatidão
quantos realmente deixaram a África do Sul. Seja como
for, não é exagero dizer que cerca de 1 milhão de
brancos se retiraram do país durante os últimos 15
anos.
É fácil para quem está fora simplesmente dizer
"vá embora". Mas, especialmente na África do
Sul, em toda parte encontramos brancos que nem cogitam
tal hipótese, porque possuem fundas raízes aqui. Eles
viveram nesta região durante a vida inteira. Este é seu
lar, e os outros países lhes são estranhos.
Ian Smith, por exemplo, diz que não abandona o Zimbábue
porque nasceu nele e nele construiu sua vida. Recusa-se,
por uma questão de princípio, a largar para trás sua
fazenda ou qualquer outra coisa que possua. Ele corre
grande perigo por isso, mas mesmo assim insiste em
concitar os brancos a não abandonar o Zimbábue.
Apesar disso, desde os anos 60 é um fato a tendência de
os brancos zimbabuenses abandonarem o continente ou, pelo
menos, rumar para mais ao sul. Aqui na África do Sul,
por exemplo, você encontra brancos vindos do Quênia, da
Zâmbia, do Zimbábue, de Moçambique e de Angola. Todos
eles viviam nesses países e decidiram deixá-los.
Alguns, inclusive, já viveram em mais de um país, e
testemunham de como viram belos e prósperos países ir
à ruína. É raro encontrar algum esquerdista entre os
brancos que já viveram em mais de um país africano. Em
regra, a experiência endureceu-os, e, em conseqüência
disso, se tornaram mais conservadores.
Meu barbeiro, por exemplo, é um português que chegou na
África do Sul em 1960. Nunca tinha estado antes na
África, mas foi convocado pelo exército português para
lutar contra os comunistas em Angola. Ele me disse que,
naquela época, Angola era um belo país, e que,
potencialmente, era mais rico que a África do Sul. (O
território de Angola é um quarto do europeu!) Contou-me
também histórias horripilantes sobre o que aconteceu
por lá. Já mencionei em meu website
(www.AfricanCrisis.org) que os brancos eram serrados em
duas partes e que as mulheres tinham seus seios cortados.
Mas meu barbeiro falou das fotos que viu num posto
policial português: uma mulher grávida com o estômago
aberto. Seu feto havia sido tirado e cortado em pedaços.
Depois de sua estada em Angola, meu barbeiro apaixonou-se
pela África e veio viver na África do Sul. Há uma
grande comunidade portuguesa na África do Sul,
constituída de pessoas que perderam tudo o que tinham em
Moçambique ou em Angola.
Angola é o país africano que há mais tempo é habitado
por brancos: 500 anos. A África do Sul vem em segundo
lugar. A população branca angolana já foi de 500.000
pessoas. Eu suponho que quem não mora na África sequer
desconfia das dificuldades por nós sofridas. Mas, pelo
menos na África do Sul, nem tudo está perdido. Ainda
há 4 milhões de nós por aqui - em nenhuma outra parte
do continente somos tão numerosos. A verdadeira batalha
pela África do Sul nunca foi lutada. Já houve guerra em
Angola, Moçambique, Zimbábue e Namíbia, mas, na
África do Sul, nunca. A decadência da África do Sul
deve-se, sobretudo, a uma guerra psicológica e de
propaganda, somada a uma tremenda pressão internacional.
Até agora, a confrontação aconteceu mais nas mentes do
que fora delas. Quando não for mais assim, será
incontável o número de cadáveres.
Mugabe pode estar pavimentando a estrada para essa
verdadeira batalha. No Zimbábue, pode-se ver toda sorte
de problemas - fome, desordem civil, emigração em
massa. Esteja certo disso: a convulsão que o Zimbábue
atravessa produzirá forte impacto na África do Sul
durante os anos a seguir.
Fique, pois, atento: o último capítulo da assim chamada
"libertação africana" ainda não foi escrito.
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